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Passagem
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“Dois aspectos importantes estão presentes em “Serpentinata”. O primeiro deles é a constituição da obra como um corredor para a passagem, transformando o sujeito em passageiro e participador que é convidado a atravessar a obra. O segundo consiste na opção pelo uso do aço inox, implicando a manipulação e o domínio de uma nova técnica, bem como a incorporação dos significados provenientes desse material. Dentre todos os metais, o inox é o menos suscetível à corrosão devido à presença de cromo em sua composição. Em contato com o oxigênio do ar, o cromo forma uma camada extremamente fina, não porosa, contínua, estável e resistente que protege esse metal da contaminação do meio ambiente. Por possuir tais atributos é altamente indicado para a indústria alimentícia e hospitalar pois além de não desprender suas partículas, não contamina nem se deixa contaminar. Portanto, poderíamos concluir que é um material “indiferente” e a indiferença seria, do ponto de vista das relações, uma curiosa característica compartida entre espaços públicos de passagem e seus usuários (...).” (Texto da autora, 2000, p. 26-28) -
A exposição idealizada para o antigo Cassino da Pampulha, que abriga hoje o Museu de Arte da Pampulha, em Belo Horizonte, pretendeu explorar amplamente os significados da experiência especular, através da apropriação dos significados e características daquele site. “Porto Pampulha” foi idealizada tendo como referência básica para sua conceituação o projeto arquitetônico e paisagístico do complexo Pampulha, de Oscar Niemeyer e Burle Marx, respectivamente. (...) É a incorporação das condições próprias de todo o contexto que vai potencializar “Porto Pampulha”. Instalada à beira da lagoa e nas proximidades do aeroporto, a exposição pretende propiciar ao visitante (viajante) mais um local de apoio em seu roteiro turístico. (...) A exposição era composta por vinte e seis obras, realizadas em aço inox, vidro, couro branco, espelho, carro motorizado e áudio, todas conceituadas como estruturas de suporte para o corpo, exceto uma, definida como aparelho. Às colunas originais da arquitetura foram acopladas alças, catracas e espelhos. (Texto da autora, 2000, p. 61-63) -
Vista geral de uma sala com outras obras da artista. "Alguns pássaros" aparece em primeiro plano, vista diagonal, sem público -
"''Alguns pássaros" é uma das 3 obras realizadas entre 1987 e 1991 que podem fornecer referências mais próximas aos conjuntos de esculturas que constituem o corpo de pesquisa de doutorado da artista, que teve origem nas reflexões contidas neste trabalho. É a obra que revelou a possibilidade de atribuir à escultura a função de aparelho para o campo do corpo e armadilha para o olhar. Tratou de introduzir, de forma mais definitiva, o caráter da obra como um lugar para o observador, cuja função primeira seria interromper a realidade contínua de seu espaço-tempo. Na medida em que definia um espaço para a contemplação no interior da própria obra, ampliava os objetivos almejados com a introdução dos “beirais”. Nesse sentido, o trabalho poderia ser entendido como um mirante, lugar que propicia experiências distanciadas da realidade ou mesmo um aparelho de transporte para outro espaço-tempo. [...] Foi projetada tendo em vista a medida exata do corpo; sugere que o espectador ocupe este lugar. [...] A noção da obra como armadilha para o olhar e aparelho para o campo do corpo surge aqui, pela primeira vez. Com inspiração nos “beirais”, o arranjo dessas estruturas verticais fixadas no chão para apoiar o corpo tinha por objetivo afirmar a obra como um lugar protegido, para uma experiência que só poderia ser vivenciada através do corpo capturado e do olhar." (Texto da autora, 2000, p. 12, 22-23). -
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