Ana Tavares

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  • “Dois aspectos importantes estão presentes em “Serpentinata”. O primeiro deles é a constituição da obra como um corredor para a passagem, transformando o sujeito em passageiro e participador que é convidado a atravessar a obra. O segundo consiste na opção pelo uso do aço inox, implicando a manipulação e o domínio de uma nova técnica, bem como a incorporação dos significados provenientes desse material. Dentre todos os metais, o inox é o menos suscetível à corrosão devido à presença de cromo em sua composição. Em contato com o oxigênio do ar, o cromo forma uma camada extremamente fina, não porosa, contínua, estável e resistente que protege esse metal da contaminação do meio ambiente. Por possuir tais atributos é altamente indicado para a indústria alimentícia e hospitalar pois além de não desprender suas partículas, não contamina nem se deixa contaminar. Portanto, poderíamos concluir que é um material “indiferente” e a indiferença seria, do ponto de vista das relações, uma curiosa característica compartida entre espaços públicos de passagem e seus usuários (...).” (Texto da autora, 2000, p. 26-28)
  • “Os espelhos em “Gambling” foram pensados para funcionar como uma armadilha que capturava dentro de si própria os vestígios de um teatro, as lembranças deixadas por uma estrutura arquitetônica desnudada. Ampliava, em uma superfície espelhada, toda extensão do teto e outros detalhes da arquitetura. Composta por 32m2 de espelhos colocados em um plano inclinado do chão, tinha o objetivo de absorver a arquitetura e proporcionar ao visitante uma espécie de contemplação abismal. Ao redor desse plano espelhado foram instalados quatro corrimãos de aço inox, anteparos para uma experiência vertiginosa no interior do teatro. Inserida no contexto de uma exposição coletiva, cujo tema central era a fotografia, “Gambling” pretendia ampliar os conceitos inerentes a esse processo mecânico de registro do real, capturando o espaço dado para, ao mesmo tempo, revelar a condição daquele teatro: um monumento apagado pelo tempo e pela história.” (Texto da autora, 2000, p. 56-57)
  • A exposição idealizada para o antigo Cassino da Pampulha, que abriga hoje o Museu de Arte da Pampulha, em Belo Horizonte, pretendeu explorar amplamente os significados da experiência especular, através da apropriação dos significados e características daquele site. “Porto Pampulha” foi idealizada tendo como referência básica para sua conceituação o projeto arquitetônico e paisagístico do complexo Pampulha, de Oscar Niemeyer e Burle Marx, respectivamente. (...) É a incorporação das condições próprias de todo o contexto que vai potencializar “Porto Pampulha”. Instalada à beira da lagoa e nas proximidades do aeroporto, a exposição pretende propiciar ao visitante (viajante) mais um local de apoio em seu roteiro turístico. (...) A exposição era composta por vinte e seis obras, realizadas em aço inox, vidro, couro branco, espelho, carro motorizado e áudio, todas conceituadas como estruturas de suporte para o corpo, exceto uma, definida como aparelho. Às colunas originais da arquitetura foram acopladas alças, catracas e espelhos. (Texto da autora, 2000, p. 61-63)
  • A obra é definida pela quebra da expectativa do utilitário para a contemplação, e relaciona-se com a obra “Escorredor”. “(...) Em “Escorredor” a função é apenas aludida e parece inviabilizada pelas alterações de escala e, sobretudo, pela carga metafórica que revela em sua forma. Nesse sentido, poderia ser considerada como um “objeto incompetente”, pois nega qualquer possibilidade de uso efetivo. Mesmo remetendo ao uso, “Escorredor” e “Rotatória” assumem os desígnios de uma escultura que privilegia e mantém a contemplação e a subjetividade como essência de sua relação com o público (característica recorrente na produção até 1991) para interromper abruptamente o apelo à ação proposto em outras obras.” (Texto da autora, 2000, p. 32).
  • A obra é definida pela quebra da expectativa do utilitário para a contemplação, e relaciona-se com a obra “Rotatória”. “(...) Em “Escorredor” a função é apenas aludida e parece inviabilizada pelas alterações de escala e, sobretudo, pela carga metafórica que revela em sua forma. Nesse sentido, poderia ser considerada como um “objeto incompetente”, pois nega qualquer possibilidade de uso efetivo. Mesmo remetendo ao uso, “Escorredor” e “Rotatória” assumem os desígnios de uma escultura que privilegia e mantém a contemplação e a subjetividade como essência de sua relação com o público (característica recorrente na produção até 1991) para interromper abruptamente o apelo à ação proposto em outras obras.” (Texto da autora, 2000, p. 32).
  • A obra é vista em primeiro plano, com um observador posicionado em seu interior. Em segundo plano, a obra Tapete (1991), da mesma autora, que parece estar sendo observada pelo espectador.
  • Vista geral de uma sala com outras obras da artista. "Alguns pássaros" aparece em primeiro plano, vista diagonal, sem público
  • "''Alguns pássaros" é uma das 3 obras realizadas entre 1987 e 1991 que podem fornecer referências mais próximas aos conjuntos de esculturas que constituem o corpo de pesquisa de doutorado da artista, que teve origem nas reflexões contidas neste trabalho. É a obra que revelou a possibilidade de atribuir à escultura a função de aparelho para o campo do corpo e armadilha para o olhar. Tratou de introduzir, de forma mais definitiva, o caráter da obra como um lugar para o observador, cuja função primeira seria interromper a realidade contínua de seu espaço-tempo. Na medida em que definia um espaço para a contemplação no interior da própria obra, ampliava os objetivos almejados com a introdução dos “beirais”. Nesse sentido, o trabalho poderia ser entendido como um mirante, lugar que propicia experiências distanciadas da realidade ou mesmo um aparelho de transporte para outro espaço-tempo. [...] Foi projetada tendo em vista a medida exata do corpo; sugere que o espectador ocupe este lugar. [...] A noção da obra como armadilha para o olhar e aparelho para o campo do corpo surge aqui, pela primeira vez. Com inspiração nos “beirais”, o arranjo dessas estruturas verticais fixadas no chão para apoiar o corpo tinha por objetivo afirmar a obra como um lugar protegido, para uma experiência que só poderia ser vivenciada através do corpo capturado e do olhar." (Texto da autora, 2000, p. 12, 22-23).